Eu sei, vocês já leram tudo isso antes, mas eu tenho que repetir: o show dos Engenheiros do Hawaii foi simplesmente perfeito!
Chegamos 18h e ficamos super na frente, o que foi incrível, pois pudemos ver o Humberto Gessinger sem nenhuma cabeça no meio. Deu até pra ver que o banquinho do Acústico estava meio gasto. Deveria ter levado minha máquina, as fotos saíriam perfeitas, mas tive medo de ser roubada. Aí, de lembrança mesmo, só sobraram os hematomas no braço e nas pernas e a dor no joelho.
Ele estava lindo! Com aquela calça da gravação do acústico, uma blusa amarela dos Engenheirosdo Hawaii e um colete preto por cima. Depois, ele ainda colocou uma boina, tipo a que ele usava nos tempos do Humberto Gessinger Trio.
Achei que nunca veria o Humberto tocar Vozes, então, pra mim, o melhor momento do show foi essa música. Emocionante. Ando Só, Terra de Gigantes/Quanto Vale a Vida, Somos Quem Podemos Ser e 3X4 também não ficam pra trás.
Como todo fã chato, senti falta de Luz, que é a minha favorita do último CD, de Simples de Coração, De Fé e Revelação, do Fagner, e de Alucinação, do Belchior. Dessas duas últimas, eu sempre sinto falta.
Falando em sentir falta, não senti a menor falta do Bernardo Fonseca, viva o Humberto no baixo! E o Gláucio Ayala tá com uma mania de tirar foto do público durante o show, como faziam os Backstreet Boys a um tempo atrás.
Entrevista com o Humberto Gessinger
Minha amiga e colega de jornal, Dely Sátiro, fez uma entrevista por e-mail com o Humberto, mas ele não respondeu a tempo de ser publicada no Diário do Nordeste, so, vou postar aqui pra vocês lerem.
Engenheiros do Hawaii, que iniciou carreira nos anos 80, continua trilhando o caminho do sucesso. O grupo inova nas canções, atrai jovens… Qual é o “segredo” de tanto êxito e como é a relação da banda com a juventude?
Para mim também é um segredo. Eu nunca tive medo do tempo, adoro cada ruga que a estrada tatuou no meu rosto. Não me vejo como um produto e não penso nos fãs como consumidores. Desde cedo eu soube o que queria e o que podia fazer musicalmente. Nunca me atrai pelos modismos e tive sorte de encontrar quem quisesse ouvir meu som. Hoje em dia tudo é tão passageiro que a gente acaba estranhando quando uma canção permanece. Mas, se pensarmos bem, nada mais natural. 20 anos é só o início…
Além de cantar e tocar, você compõe. Qual a sua maior inspiração para escrever? O que pretende transmitir com suas canções?
Pessoalmente eu nunca soube me comunicar direito, sempre fui muito tímido. A música é meu canal de expressão. A inspiração é algo misterioso, quase inconsciente. Mais do que um discurso, música é um diálogo. Não quero ensinar nada, quero compartilhar visões.
A banda viaja na divulgação do álbum, “Novos Horizontes”. Qual é o “diferencial” desse projeto em relação aos outros da carreira?
É o melhor show que eu coloquei na estrada nesses mais de 20 anos de carreira. Visualmente é muito bonito e musicalmente é um resumo do que eu acho que fiz de melhor. O show tem uma dinâmica bacana, vai da delicadeza da viola caipira ao peso das guitarras.
NO DVD, você cantou “A Onda” e “Parabólica” com a Clara. Dá para expressar a emoção em dividir o palco com a filha? Você a incentiva a seguir a carreira musical?
A emoção é enorme, são muitos significados concentrados num momento, passa muita coisa na cabeça da gente. Parabólica fiz para ela quando ela nasceu e A Onda fala do tempo certo das coisas acontecerem. Nunca falei, com a Clara, de música como uma profissão. Para mim música é mais do que isso. Acho engraçado que a palavra “profissional” tenha virado um elogio. Ser profissional é só o início, devemos subir a estágios superiores. Cada vez mais acredito que é mais importante saber ouvir do que saber fazer música.
O que te inspirou a voltar a tocar baixo?
Com tanto tempo de estrada já sei que as coisas têm uma hora certa para acontecer. O baixo é um instrumento fascinante mas muito dependente. Nos momentos de transição me sinto mais seguro na guitarra ou violão. Uma banda é um organismo vivo, não é uma equação matemática. Gosto de trabalhar com bandas enxutas, onde cada músico tenha bastante espaço. Com a saída do Bernardo, resolvi voltar ao baixo e testar uma formação que era inédita na história da banda. Deu super certo. Gláucio, Aranha e Pedro a cada show se superam, estão tocando muito!
O que o público de Fortaleza pode esperar do show? Vai ser acústico ou elétrico?
Tem momentos elétricos e momentos acústicos. Estamos viajando com toda a estrutura visual que usamos na gravação do DVD NOVOS HORIZONTES.
O repertório será basicamente o do DVD “Novos Horizontes”? Que clássicos não poderão faltar?
A base do show é o NOVOS HORIZONTES. Tem também muitas canções do ACÚSTICO MTV. Infinita Highway, Pra Ser Sincero, Até o Fim, Montanha, Toda Forma de Poder, sempre rolam. É um findisemana especialíssimo por que estamos encerrando a tour. Foram mais de 3 anos nesta fase que começou com o ACÚSTICO MTV e floresceu no NOVOS HORIZONTES.
Quando você visita a cidade, passeia por quais lugares? Como é a sua relação com os fãs da Capital?
Geralmente nossa passagem pelas cidades é muito rápida. Mas talvez a melhor maneira de conhecer uma cidade seja mesmo tocando para seus moradores. Temos um público muito bacana em Fortaleza, espero que estejamos à altura.