
o cheiro que você está sentindo é do ralo
Domingo, Dezembro 9, 2007
A história de um cara nojento, escroto, materialista desprezível que maltrata todo mundo e pensa que pode comprar tudo e todos. “O Cheiro do Ralo” é uma adaptação do livro de Lourenço Mutarelli (que eu vou ler muito em breve), com direção de Heitor Dhalia.
Lourenço (Selton Mello), o lixo humano de quem eu falei, é dono de um antiquário e compra velharias oferecidas por pessoas desesperadas por dinheiro, aproveitando para humilhá-las. Um belo dia, ao parar em uma lanchonete, ele se apaixona não pela garçonete, mas por sua bunda. Do banheiro da loja de Lourenço, sai um cheiro desagradável de fezes que ele diz insistentemente que não vem dele, talvez para se convencer disso. “Este cheiro que você está sentindo é do ralo”.
O cheiro do ralo é uma grande metáfora. Em determinado momento do filme, um dos personagens do filme diz que o cheiro vem de Lourenço sim. “E onde fica o ralo? E quem usa o banheiro? Então o cheiro é seu”. De fato, o odor vem do inescrupuloso protagonista: representa toda a essência podre de Lourenço.
Incapaz de amar, ele tem apenas um objetivo na vida: a bunda. Ele não quer casar, nem namorar a garçonete, quer apenas comprar a bunda e levá-la para casa. Aliás, Lourenço está aliviado por ter acabado o relacionamento com a noiva e olhe que “os convites já estavam na gráfica”.
Ora odiamos e ora sentimos pena do mau caráter personagem, que foi construído com perfeição e brilhantemente interpretado por Selton Mello, um dos maiores atores do País. Embora mostre todas as esquisitices e devaneios do protagonista, o ator consegue fugir do caricatural e apresenta um resultado extremamente real.
Apesar do humor negro excepcional e de todas as qualidades já citadas, o que mais me chamou atenção no filme foi mesmo a possibilidade de se fazer várias interpretações e a abordagem psicológica de temas como o sadismo, a sensação de poder e o individualismo.