Se não fosse o papa-Oscar da vez, eu nunca assistiria um filme sobre um jovem pobre participando de um programa
tipo o Show do Milhão. E mais um agravante: se passa na Índia, aquele país igual ao Brasil – só que pior, muito mais idiota e sujo – que é glamurizado por aquela novela ridícula da Globo.
Enfim, eu assisti Quem quer ser um milionário? e fiquei simplesmente re-vol-ta-da com o Oscar (quase tão indignada como quando Crash – No Limite, uma espécie de Magnólia “dos pobres” que ainda tem aquele personagem patético da Sandra Bullock, ganhou o prêmio de Melhor Filme).
Primeiro que um filme que termina com todo mundo dançando não merece nenhum respeito. Esse final tosco já era o suficiente pra eliminar todas as chances de Oscar. E, depois, Quem quer ser um milionário? é bobo demais pra ser um drama e triste demais pra ser um conto de fadas. Acho que o pior problema do filme é esse: faz a gente rir da pobreza – como na cena em que um dos personagens mergulha em uma fossa! – e parece querer mostrar que os personagens são pobres, mas são felizes. E todos os problemas pelos quais passa o protagonista são justificados, porque de alguma forma servem pra ele responder as perguntas do programa, o que, além de tudo, é uma coisa muito mentirosa. Como todas as questões estavam relacionadas a fatos tristes da vida de Jamal (Dev Patel)? E ainda foram feitas exatamente na ordem cronológica.
Assim, como todo o sofrimento de Jamal terminou sendo bom pra ele, o filme não consegue emocionar o público nem com as cenas mais pesadas, como no momento em que os bandidos cegam as crianças. Eu não derramei uma lágrima durante o longa. E, foi mal Danny Boyle, mas um diretor precisa ser muito incompetente pra não conseguir me fazer chorar.
Outra coisa que me irritou muito foi o maniqueísmo do filme. Todos os personagens são inexplicavelmente ruins e fazem de tudo pra acabar com a vida de Jamal e da Latika (Frieda Latika), tipo como em um desenho animado. Além disso, Dev Patel é totalmente inexpressivo, não consegue passar emoção nem nas cenas de tortura. Por outro lado, as crianças são ótimas e fofas, apesar de gasguitas.
Apesar de tudo, Quem quer ser um milionário? é legal, divertido, bom de assistir. Mas está muito longe de ser melhor do que filmes como o excelente O Lutador – um absurdo não ter sido indicado a Melhor Filme – e até do entediante, porém interessante O Curioso Caso de Benjamin Button. No entanto, se a escolha fosse minha, eu daria o Oscar para Dúvida, que é simplesmente genial.