
Pouquíssimas coisas na vida realmente merecem ser chamadas de espetáculo. Pois a peça “Frida”, do lindo e talentosíssimo Caco Ciocler, é um ESPETÁCULO assim, em negrito e caixa alta.
Achei que seria estranho ver outra pessoa interpretando Frida Kahlo depois do show de Salma Hayek na cinebiografia da pintora. Mas não, Rosamaria Murtinho, criminosamente subaproveitada na novela das sete da Globo, estava simplesmente fantástica no papel. Zulma Mercadante, que fez a Frida jovem e até lembra a interpretação de Salma Hayek, também é ótima. Juntas, as duas conseguiram transmitir toda a intensidade e essência da artista mexicana. Perdi a conta de quantas vezes eu me emocionei durante a peça. Outra coisa que merece ser destacada é o figurino. Belíssimo!
O espetáculo é mais voltado para aqueles que conhecem a vida e a obra da Frida, pois usa as pinturas dela para contar fatos marcantes da sua história. Acho que eles escolheram muito bem os principais acontecimentos pra ilustrar a vida dela, mas teria sido muito bom se eles tivessem retratado o momento em que Frida corta os cabelos depois de descobrir que foi traída por Diego com a sua própria irmã. Talvez seja difícil fazer esta cena em uma peça, mas valeria a pena o esforço, seria muito emocionante.
Também senti falta de um certo vídeo filmado e dirigido por Caco Ciocler no México, onde ele e a Rosamaria Murtinho mostram a trajetória da pintora. Li que seria transmitido no espetáculo, mas não foi. Talvez eles perceberam que não valia a pena mostrar o filme pra uma platéia tão cretina. Falo mais sobre isso depois.
A peça é uma bela e merecida homenagem à Frida Kahlo, cuja vida e obra me encanta. Uma artista humanamente imperfeita, mas admirável em infinitos aspectos. Tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. Tão autônoma e ao mesmo tempo tão dependente de Diego. Tão doente e ao mesmo tempo tão cheia de vida. Uma mulher marcante, não só pelo buço exagerado e trajes mexicanos coloridíssimos, mas pela sua intensidade e forma única de encarar a vida.
Ceará, terra de gente mal-educada e feia
A peça estava marcada para às 21h. Às 21h05min, o teatro estava longe de ficar lotado e havia um monte de gente do lado de fora conversando. Enquanto isso, Rosamaria Murtinho esperava pacientemente sentada no palco. Constrangedor. O pior é que, se alguém reclamasse, com certeza os atrasadinhos diriam algo completamente estúpido, como “e daí? eu estou pagando!”.
Além de não ter educação, cearense é um povinho sem o hábito de freqüentar teatro e acha que espetáculos assim são iguais aos forrós deprimentes que costuma ir e que pode chegar a hora que quiser.
Eu já acho um absurdo a pessoa conversar no cinema. Agora, conversar no teatro é quase um crime, dá vontade de matar a pessoa. Hoje, tocou até celular durante a peça. E ainda foi uma daquelas músicas de axé vagabundas. Sem contar que o público nunca sabia como reagir às cenas e sempre ria nas horas erradas. Teve um cara que chegou a oferecer um isqueiro quando a Frida perguntou se alguém tinha fogo. Vergonhoso.
Mas, como eu disse, esse espetáculo é mais direcionado para quem conhece a vida e obra da artista, o que certamente não era o caso daquela gente. Tenho certeza que a maioria das pessoas foi ao teatro pra ver o galã da novela das oito. Sim, porque duvido que saibam a diferença entre dirigir e atuar. Devem ter visto o nome do Caco Ciocler no panfleto da peça e deduzido que ele apareceria de alguma forma.
Sei que disso eles não têm culpa, mas 97% dos cearenses são muito feios. Nada contra os feios, mas é que eles não são normalmente feios, são feios de uma forma ridícula. Feios que querem ser bonitos e se vestir igual às pessoas da televisão, ou seja, feios e cafonas, mas acham que são lindos e chiques. E disso eles têm culpa.
Não quero mais ficar nessa terra de gente mal-educada, feia e cafona. Vou-me embora pra Pasárgada.


